Leo entrevista Wilfred

O QUE TE LEVOU A PENSAR NUM DOCUMENTÁRIO SOBRE A CENA METAL PERNAMBUCANA?

Rapaz, foi um caminho lógico. Que veio desde as primeiras pesquisas que fizemos, sempre com os professores Amílcar Bezerra e Daniela Maria Ferreira, ambos da UFPE, além de Jorge de la Barre, da UFF. Depois das pesquisas, veio o livro PEsado – Origem e Consolidação do Metal em Pernambuco, também pelo Funcultura, como as pesquisas. Na sequência, criei o programa de rádio, com o músico e jornalista Ad Luna e o radialista Gustavo Augusto. O passo seguinte foi o filme e a gente foi junto com a Jaraguá Produções, que já era parceria no livro. Tivemos algumas ideias e contratempos na direção. Pensamos em João Carvalho, depois chegamos a conversar com Leo Falcão. Escrevi o argumento com Fernando Weller, mas ele teve que se dedicar ao seu filme Em Nome da América. Então, a gente pensou bastante e decidimos que você seria o nome ideal, porque reunia as condições que queríamos para um filme como um nosso. E aí tem uma história, que nem sei se você lembra: na campanha eleitoral de 2014, nos encontramos em um posto, em Arcoverde, e eu falei do projeto. E você disse: “Pode contar comigo”. E a gente terminou se reencontrando.

QUAIS FORAM AS PRINCIPAIS DIFICULDADES DA PRODUÇÃO DE UM DOCUMENTÁRIO SOBRE MÚSICA FEITA EM PERNAMBUCO?

Pra mim foi como condensar mais de três décadas de história em pouco tempo. Isso já tinha me fudido no livro, mas justamente essa experiência me ensinou a não querer abarcar tudo de uma vez só. É impossível. Sempre vai faltar algo. Lembro de a produção reclamar que teríamos 70 entrevistados. “É muita gente!”, me disse a produtora executiva Carol Ferreira mais de uma vez. E olha que a lista inicial tinha mais de cem pessoas. Tivemos que cortar muita gente e isso me doeu um bocado. O recorte que tínhamos que focar também me foi angustiante porque a gente tinha muita coisa legal. Muitas histórias hilárias e importantes. Mas o futuro vem aí, quem sabe não ampliamos isso?

O QUE MAIS CHAMOU SUA ATENÇÃO DURANTE AS FILMAGENS?

Em primeiro lugar, a empolgação das pessoas. Todo mundo se ligou que esse é um momento único. E todo mundo se esforçou para estar lá, ceder seus arquivos, liberar as músicas, lembrar de gente que queria e poderia ajudar. Em segundo lugar, como o metal une. Pessoas de ideologias diferentes, classes sociais diferentes, perspectivas distintas de vida. Mas quando o som alto e bruto começa, todo mundo é metaleiro!

O QUE VOCÊ DESTACARIA NO FILME?

Temos muita coisa inédita nesse filme. Histórias, imagens, perspectivas. Muitos sons que estão na, digamos, trilha sonora são realmente inéditos. Alguns nem nome têm, a maioria vem de demos gravadas em estúdios precários. Mas que, com garra e criatividade, vieram à luz. Também destaco que era muito complicado ter uma câmera nos anos 80. Então, tanto em vídeo quanto em foto o que a gente tem é um material feito com amor, com gana – que as pessoas chamam de amador. Mas eu comecei a escrever em fanzine. Então, isso para mim foi uma volta às origens. E a estética que você e Mariano Maestre (diretor de fotografia) conceberam se adequou perfeitamente ao que eu pensava. O designer Alcides Burn e o montador André Farkatt foram dois monstros nessa concepção também. Pessoas como Nina e Guga Burkhardt, Eurico Alves, os irmãos Renato e Henrique Vilela, Carlos Santana, Márcio Gadêlha, Fabio Brayner, Washington Pedro e Osvaldo Magno, que tiveram fanzines importantes, são meio que homenageadas “involuntariamente” na fotografia e estética do documentário.

SE VOCÊ TIVESSE QUE SUGERIR UMA BANDA PERNAMBUCANA A UMA PESSOA DE FORA DE PERNAMBUCO, QUAL SERIA?

Quem gosta das minhas listas é Antonio Araújo, pernambucana do Korzus, hahahahahaha. Eu sou suspeito. Vou citar algumas, mesmo correndo o risco de esquecer e ser injusto, mas Fire Worshipers, Storms, Câmbio Negro HC e Cruor estão em um nível acima de minha preferência, pois eu cresci vendo e terminei cantando nas duas últimas. Sempre gostei muito do Infected também. Citaria ainda o Decomposed God e o Elizabethan Walpurga daquela fase extrema dos anos 90. E atualmente cito Cangaço, Pandemmy e Desalma. Ah, e o Realidade Encoberta também.

COMO FOI TRABALHAR COM UM DIRETOR DIVIDINDO OPINIÕES E INTERFERINDO NO SEU ROTEIRO?

Não tive tanto problema, não. Foi minha primeira experiência roteirizando e logo em documentário. Meio que a gente sabe o que as pessoas vão dizer mas também está aberto às improvisações. Eu gostei muito das suas interferências durante as entrevistas. Sempre acrescentaram e criaram momentos muito inteligentes. É preciso ser justo e dizer que professora Daniela Maria Ferreira teve um papel super importante. A formação dela é de sociologia e essa pegada está implícita no filme. As sugestões de perguntas e temas que ela deu realmente foram muito relevantes.

NO FINAL DE TUDO, CONSIDERA A EXPERIÊNCIA AUDIOVISUAL POSITIVA OU A SUA PRAIA É MESMO A LITERATURA? 

Eu não paro de escrever nunca. É minha atividade de vida. Muitos me enchem o saco ao dizerem que eu encho o saco nas redes sociais. Mas é isso mesmo: tenho muito a dizer e o direi em qualquer forma de comunicação. Mas a experiência audiovisual me conquistou. Temos novas ideias, parcerias, projetos. Eu não quero parar por aqui não. E, se der para trabalhar com você, melhor ainda.

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